Em Belmonte, deixe a praia de lado, se jogue no rio, na arquitetura, museu a céu aberto e casarios antigos

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

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Quando se pensa em cidades praianas no sul da Bahia, a areia clara e o mar esverdeado vêm prontamente à cabeça, mas em Belmonte, município a 70 km de Porto Seguro, o rio interessa mais do que o oceano.

O Jequitinhonha, com nascente em Minas Gerais, ladeia a cidadezinha baiana antes de desaguar no Atlântico.

Do portinho de Belmonte, na Costa do Descobrimento, um dos passeios mais populares leva a Canavieiras pelo delta do Jequitinhonha. A travessia é feita de lancha voadeira e une as duas cidades, que já foram importantes centros econômicos no ciclo do cacau.

A viagem começa por um Jequitinhonha largo e marrom, rodeado por mangues e coqueirais. Assim que a embarcação entra no primeiro canal, o barqueiro começa a apresentar as árvores nativas —cajueiros, cacaueiros, mangueiras e mangabeiras.

Palmeiras de coco, dendê e piaçava também brotam na paisagem. Diversos pássaros multicoloridos acompanham o trajeto, entre eles o japu, que faz um tipo de ninho diferente, em formato de bolsa.
Logo a voadeira entra em um trecho do rio bem raso e estreito, e o barco vai devagarinho mangue adentro.

O visitante navega na altura das imensas raízes aéreas com uma visão privilegiada da vegetação. No emaranhado dos caules, centenas de caranguejos de diversas espécies se movimentam a poucos centímetros do barco.

Nessa hora, vale a pena pedir para desligar o motor e ouvir o burburinho da fauna e da flora. Antes de chegar a Canavieiras, o barco ainda faz uma parada para um mergulho em águas salgadas na despovoada praia da Barra do Peso.
Ao atracar na cidade vizinha, dê uma volta no orla do rio Pardo e, se bater a fome, prove o bacalhau do restaurante Casa Verde, da portuguesa Zezinha. A versão à Gomes de Sá sai por R$ 100 e serve duas pessoas.
No regresso a Belmonte, nas ruas próximas ao rio, o visitante se depara com farto casario histórico, uma mistura de arquitetura vernacular com tradição portuguesa. É possível comer por ali, à beira do Jequitinhonha, a moqueca de pitu do Taberna, que sai por R$ 210 e serve até três pessoas.

Nos restaurantes, as mesas estão mais afastadas do que o habitual e o uso de máscara é obrigatório durante o passeio de barco e ao circular pela cidade. Dos 21 mil habitantes de Belmonte, 642 moradores (3% do total) foram contaminados pela Covid-19, segundo a prefeitura.

REGIÃO DE FAZENDAS DE CACAU É BERÇO DO ARTISTA ZANINE CALDAS

Em uma casa bem preservada da década de 1920, no centro da cidade, fica o Muca (Museu das Cadeiras Brasileiras). São duas salas pequenas que exibem cadeiras de artistas como Sérgio Rodrigues, Irmãos Campana, Joaquim Tenreiro e José Zanine Caldas.

Este último, aliás, nativo de Belmonte, foi o motivo da instalação do museu na cidade, com ajuda de seu filho, o designer Zanini de Zanine. "Belmonte é o berço do meu pai e de uma herança criativa atemporal. Acredito que a cidade seja inerente ao trabalho dele", afirma o filho.

Inaugurado em 2018, o museu tem acervo de 50 peças selecionadas por Christian Larsen, então curador do Metropolitan de Nova York. A riqueza cultural da cidade é consequência da fase de ouro do cacau. Naquela época, começo do século 20, o povoado se tornou município e recebeu o nome de Belmonte, o mesmo da cidade onde nasceu Pedro Álvares Cabral.

No final dos anos 1980, porém, as lavouras do sul da Bahia foram assoladas pela vassoura-de-bruxa, praga que exterminou o cacau do território. Agora, aos poucos, surfando na onda do chocolate de origem, a localidade está retomando a produção. A história do cacauicultor Eduardo Matos de Melo, 54, mistura-se com as memórias do
fruto na região. O tataravô de Melo, Ermelino, colhia cacau na mesma terra onde ele trabalha hoje, às margens do Jequitinhonha.

Passado o assombro da praga e atraído pela possibilidade de fazer negócio com cacau de qualidade, Melo reocupou a fazenda Estrela do Sul em 2007. "Retomar a tradição da família me deixa muito entusiasmado. Tudo que sai daqui leva muita paixão.", diz o fazendeiro. Na visita à propriedade, o giro começa com a colheita do fruto no pé. Depois, chega a vez das barcaças que secam as amêndoas, onde é possível pisar com os pés
descalços nos grãos que mirram ao sol. O passeio ainda tem um momento de degustação do fruto em várias versões: in natura, em forma de suco e como mel de cacau, um néctar doce que escorre da polpa da fruta.

Para os que não podem passar pelo litoral baiano sem dar um mergulho em águas salgadas, a praia de Mogiquiçaba é boa escolha. Com areia branquinha e mar agitado, ela é serpenteada pelo rio Preto e abraçada por uma pequena vila com típica praça baiana, em formato quadrado, com uma igrejinha em um dos lados.

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