Por: bahiananet.com.br - Bnews
Três anos após a morte de Hyara Flor Santos Alves, de 14 anos, o caso continua em tramitação na Justiça da Bahia e permanece cercado por questionamentos sobre a autoria e a motivação do crime. A adolescente foi morta com um tiro dentro da própria residência, em 6 de julho de 2023, no município de Guaratinga, no extremo sul da Bahia.
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Desde o início das investigações, o caso passou por diferentes fases e versões. Hyara, que fazia parte de uma comunidade cigana, havia se casado poucos meses antes da morte. O relacionamento e as circunstâncias do disparo passaram a integrar o centro das investigações.
Versão inicial apontava disparo acidental
Logo após o crime, familiares do então marido de Hyara sustentaram que o disparo teria ocorrido de maneira acidental e atribuído a uma criança de 9 anos, que seria cunhado da adolescente.
A versão, entretanto, foi contestada pela família de Hyara, que desde o início levantou dúvidas sobre a dinâmica apresentada e apontou o então marido da vítima, também adolescente e com 14 anos à época, como possível responsável pelo disparo.
Em meio às investigações, o jovem chegou a ser apreendido ainda em julho de 2023. Ele foi localizado na casa de familiares no Espírito Santo, após deixar a Bahia. Posteriormente, acabou sendo liberado depois que a primeira investigação policial concluiu que o tiro teria sido disparado acidentalmente pela criança.
Novas perícias mudaram os rumos da investigação
A família de Hyara e o Ministério Público da Bahia (MPBA) não concordaram com a conclusão inicial e solicitaram novos esclarecimentos sobre as circunstâncias da morte.
Com a realização de novas análises técnicas pelo Departamento de Polícia Técnica (DPT), a investigação ganhou novos elementos. Entre os resultados apresentados posteriormente esteve a identificação de perfil genético do então marido de Hyara na arma utilizada no crime.
O novo conjunto de informações levou a Polícia Civil a retomar medidas investigativas contra o adolescente.
Em agosto de 2024, um novo mandado de busca, apreensão e internação provisória foi cumprido. O jovem foi localizado no bairro Quintas do Sul, em Itapetinga, e passou a responder por ato infracional análogo ao crime de feminicídio.
Após a apreensão, ele foi encaminhado para a Comunidade de Atendimento Socioeducativo (Case) de Vitória da Conquista.
Justiça determina internação
Em setembro de 2024, o Tribunal de Justiça da Bahia determinou a internação do adolescente por prazo indeterminado, no âmbito do processo que apura sua possível participação na morte de Hyara.
O caso, no entanto, ainda não chegou a uma conclusão pública definitiva sobre todos os aspectos relacionados ao assassinato.
Por se tratar de um processo envolvendo adolescentes e que tramita sob segredo de Justiça, informações detalhadas sobre depoimentos, laudos, provas e eventuais decisões permanecem restritas às partes e às autoridades responsáveis.
MPBA confirma andamento regular
Procurado para atualizar as informações sobre o andamento do caso, o Ministério Público da Bahia informou que o processo segue tramitando regularmente na Vara de Guaratinga.
O órgão também esclareceu que não poderia fornecer mais detalhes sobre a investigação justamente porque o processo está protegido pelo segredo de Justiça.
Dessa forma, três anos após a morte de Hyara Flor, o caso permanece em andamento e sem a divulgação pública de todos os elementos que integram a investigação.
Uma morte que ainda gera perguntas
A morte da adolescente causou forte repercussão em Guaratinga e em outras cidades do extremo sul da Bahia. O caso chamou atenção não apenas pela pouca idade da vítima, mas também pelas mudanças ocorridas na linha investigativa desde os primeiros dias.
A versão inicial de um disparo acidental acabou sendo contestada diante de novos elementos periciais, enquanto a investigação passou a considerar a participação do então marido da adolescente.
Agora, o processo segue sob responsabilidade da Justiça, enquanto familiares aguardam esclarecimentos definitivos sobre o que aconteceu naquela residência no dia 6 de julho de 2023.
Até que haja uma decisão judicial definitiva, prevalece o princípio da presunção de inocência, e qualquer responsabilização criminal deverá observar o devido processo legal e as provas produzidas nos autos.
O caso segue em segredo de Justiça na Vara de Guaratinga.

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