Operação Sintonia de Gravata bloqueia R$ 10 milhões em bens e prende nove advogados na Bahia; veja os nomes dos investigados

Por: bahiananet.com.br - G1-Bahia

Uma ampla força-tarefa das forças de segurança da Bahia deflagrou, nesta sexta-feira (3), a Operação Sintonia de Gravata, com o objetivo de desarticular um esquema criminoso que, segundo as investigações, permitia a comunicação entre líderes de facções presos em unidades de segurança máxima e integrantes em liberdade. A ação resultou na prisão de nove advogados e no cumprimento de 12 mandados de prisão contra detentos já custodiados no sistema prisional baiano.

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Coordenada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), do Ministério Público da Bahia (MP-BA), a operação contou com o apoio da Polícia Civil, da Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap), da Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) e integra uma mobilização nacional do Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (GNCOC).

Além das prisões, foram cumpridos 15 mandados de busca e apreensão expedidos pela 1ª Vara Criminal da Comarca de Eunápolis, com diligências realizadas em Salvador, Lauro de Freitas, Camaçari, Feira de Santana, Serrinha e Barreiras.

Advogados presos na operação

De acordo com as investigações, os advogados são suspeitos de utilizar, de forma indevida, as prerrogativas da profissão para facilitar a comunicação entre líderes de organizações criminosas presos e integrantes das facções que permaneciam em liberdade.

Os profissionais presos foram identificados como:

  • Maria Tereza Novaes Martins

  • Izabela da Silva de Oliveira

  • Luan Mascarenhas de Souza

  • Ícaro Cardoso Viana

  • Luã Santos da Costa

  • Fernanda Oliveira Borges

  • Tamires Felix Alves Silva

  • Maria Mariana Batista de Oliveira

  • Raiza da Silva

Segundo o MP-BA, todos são investigados e têm direito à ampla defesa e ao contraditório. Até a divulgação das informações, a maioria ainda não possuía defesa constituída no processo.

Ligações investigadas

As investigações apontam que alguns dos advogados prestavam assistência jurídica a integrantes de facções criminosas, entre eles:

  • Maria Tereza Novaes Martins – investigada por atuar em favor de Victor de Freitas Silva, conhecido como "Da Jega", apontado como uma das principais lideranças do Comando Vermelho (CV) em Feira de Santana.

  • Izabela da Silva de Oliveira – investigada por atuar em favor de Averaldo Ferreira da Silva Filho, o "Averaldinho", apontado como um dos chefes do Bonde do Maluco (BDM) em Salvador.

  • Luan Mascarenhas de Souza – investigado por atuar em favor de Francisleno de Jesus Nunes.

  • Ícaro Cardoso Viana – investigado por atuar em favor de Gleidson Bomfim do Nascimento, Ademilton Mercês Alves e Décio Douglas Silva Oliveira.

  • Luã Santos da Costa – investigado por atuar em favor de Leandro da Conceição Santos Fonseca, conhecido como "Léo Gringo", apontado como uma das lideranças do BDM, além de Wesley Willian Alves dos Santos.

  • Fernanda Oliveira Borges – investigada por atuar em favor de Marlos Araújo Souza Junior, conhecido como "Bolão", "CRM" ou "JR", apontado como integrante do Terceiro Comando Puro (TCP).

  • Tamires Felix Alves Silva – investigada por atuar em favor de Décio Douglas Silva Oliveira, conhecido como "Vaqueiro", apontado como liderança do BDM.

  • Maria Mariana Batista de Oliveira – investigada por atuar em favor de Fábio Santana Oliveira ("Panda"), apontado como liderança do Comando Vermelho em Capim Grosso; José Lucas Silva Rocha ("Índio"), integrante do CV em Eunápolis; e novamente Victor de Freitas Silva ("Da Jega").

  • Raiza da Silva – até o momento, os investigadores não divulgaram oficialmente qual seria o investigado assistido por ela.

Esquema permitia comando das facções de dentro dos presídios

Conforme o Ministério Público, as investigações revelaram a existência de um sofisticado esquema de comunicação clandestina que permitia aos chefes das facções continuar administrando as organizações criminosas mesmo recolhidos em unidades de segurança máxima.

Segundo o Gaeco, os advogados investigados teriam exercido papel estratégico na transmissão de mensagens entre presos e criminosos em liberdade, possibilitando decisões relacionadas ao tráfico de drogas, aquisição de armas, movimentação financeira e resolução de conflitos internos.

As apurações indicam que o grupo conseguia contornar os mecanismos de isolamento previstos no sistema prisional, mantendo ativa uma estrutura organizada e hierarquizada de comando das facções.

Bloqueio de bens e apreensões

Durante o cumprimento dos mandados foram apreendidos celulares, notebooks, computadores e diversos documentos que serão periciados.

A Justiça também determinou o bloqueio de ativos financeiros dos investigados até o limite mínimo de R$ 10 milhões, além da indisponibilidade de veículos, imóveis, embarcações e aeronaves, visando impedir a movimentação de patrimônio supostamente ligado às atividades criminosas.

Mais de 100 agentes participaram da operação

A Operação Sintonia de Gravata mobilizou mais de 100 profissionais, entre promotores de Justiça, servidores do Ministério Público, policiais civis do Denarc e do Depin, além de equipes da Seap e da SSP-BA.

Segundo os investigadores, a operação representa mais uma etapa do enfrentamento às organizações criminosas que atuam dentro e fora do sistema prisional baiano.

OAB-BA acompanha as investigações

Em nota oficial, a Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Bahia (OAB-BA) informou que acompanhou o cumprimento dos mandados por meio da Comissão de Direitos e Prerrogativas, garantindo o respeito às prerrogativas profissionais da advocacia.

A presidente da entidade, Daniela Borges, determinou que a Procuradoria Jurídica da OAB-BA solicite acesso aos autos do inquérito para análise do caso. Após a avaliação da documentação, o material poderá ser encaminhado ao Tribunal de Ética e Disciplina (TED), que decidirá sobre eventuais medidas administrativas, incluindo possível suspensão preventiva dos advogados investigados, caso sejam constatadas infrações disciplinares.

A entidade ressaltou ainda que os profissionais investigados têm assegurados o direito à ampla defesa, ao contraditório e à presunção de inocência, conforme previsto na Constituição Federal, até eventual condenação definitiva pela Justiça.

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