Por: bahiananet.com.br
Motivação e necessidade da obra
Em maio de 2025, a ponte existente no km 661 da BR-101 foi totalmente interditada pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) após a identificação de risco de colapso e fragilidades estruturais em inspeções técnicas realizadas pela autarquia. A interdição provocou impactos significativos na circulação entre o sul da Bahia e estados vizinhos, uma vez que a rodovia é rota essencial para transporte regional e nacional.
Impactos no tráfego e soluções emergenciais
Com o bloqueio total da travessia, motoristas de caminhões, ônibus e veículos pesados foram obrigados a utilizar rotas alternativas que aumentam o percurso em até 70 km, como o chamado “desvio da Veracel”, muitas vezes sobre trechos não pavimentados e de difícil tráfego, especialmente em períodos de chuva.
A Polícia Rodoviária Federal (PRF) e a Polícia Rodoviária Estadual (PRE) intensificaram a fiscalização no desvio para garantir o cumprimento de restrições de peso e segurança viária, diante do uso intenso da rota alternativa por veículos de grande porte.
Ao longo do segundo semestre de 2025, o tráfego sobre a ponte original foi gradualmente liberado de forma restrita, inicialmente para carros de passeio, vans e veículos leves em sistema de “pare e siga”, depois ampliado para ônibus e caminhões leves, com restrições de peso e monitoramento constante.
Entretanto, em dezembro de 2025, o DNIT voltou a suspender parte do tráfego de veículos pesados sobre a estrutura após registros de descumprimento de limites de peso e velocidade, retomando as restrições de circulação para garantir a segurança da travessia até a conclusão dos reforços estruturais.
Projeto da nova ponte e ordem de serviço
Visando uma solução definitiva, o governo federal autorizou a construção de uma nova ponte ao lado da estrutura existente — uma travessia moderna com cerca de 510 metros de extensão, maior capacidade e faixas duplicadas para melhorar o fluxo de veículos.
A ordem de serviço foi assinada em julho de 2025 pelo ministro dos Transportes, Renan Filho, marcando oficialmente o início dos trabalhos. O empreendimento tem orçamento autorizado de aproximadamente R$ 104,7 milhões, valor que contempla também intervenções para reforço e monitoramento da ponte atual e adaptações nos acessos da rodovia.
No anúncio, o ministro reforçou que a nova ponte será construída ao lado da existente, mantendo a fluidez do tráfego durante a obra e prometendo entregar a estrutura em até 12 meses a partir do início dos serviços.
Contratação e execução
A Rivoli Construtora Ltda. foi contratada pelo DNIT para os trabalhos — tanto para as ações emergenciais de recuperação da ponte antiga quanto para os serviços da nova travessia. Documentos oficiais obtidos pelo jornalismo indicam que, embora a ordem de serviço tenha sido assinada em meados de 2025, a execução física dos reforços na estrutura existente começou em outubro, com previsão de conclusão em fevereiro de 2026. Já a construção da nova ponte ainda aguarda a finalização de análises técnicas, aprovação de projetos executivos e a liberação formal de todas as etapas operacionais.
Desafios e perspectiva regional
A demora no início efetivo das obras gerou críticas de setores da sociedade civil e parlamentares, que destacaram a distância entre prazos prometidos em propaganda institucional e a realidade técnica e logística da obra. Ao mesmo tempo, lideranças políticas e representantes do governo federal defenderam os investimentos como essenciais para o desenvolvimento econômico do sul da Bahia, apontando a ponte como um elo indispensável da BR-101 — uma das principais artérias rodoviárias do país.
O que esperar até a conclusão
Enquanto a nova ponte não fica pronta, o DNIT mantém o monitoramento constante da ponte original, com sistemas de reforço e sinalização 24 h por dia, além de restrições de peso para evitar novos danos estruturais. O projeto da nova travessia avança em sua etapa de fundações e análises técnicas, com expectativa de que a maioria dos serviços principais esteja em andamento ao longo de 2026.
Quando concluída, a obra deverá não apenas restaurar a capacidade total de tráfego da BR-101 naquela região, mas também oferecer uma travessia mais segura e apta a suportar o crescente volume de veículos, além de estimular a economia local e integrar melhor o Extremo Sul da Bahia ao restante do país.

Enviar um comentário