Gaeco Sul desarticula suposta estrutura criminosa com atuação em Trancoso, Arraial d’Ajuda e Porto Seguro

Por: bahiananet.com.br 

O Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA) denunciou 13 pessoas por suposta participação em uma organização criminosa investigada por atuação em Trancoso, Arraial d’Ajuda, Porto Seguro e localidades vizinhas, no extremo sul da Bahia. A denúncia foi apresentada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco Sul), como desdobramento das investigações da Operação Costa Limpa.

Segundo o Ministério Público, as investigações identificaram uma estrutura organizada que teria como principais atividades o tráfico de drogas, distribuição de entorpecentes, arrecadação e lavagem de dinheiro, além do armazenamento e circulação de armas de fogo.

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Ainda conforme o MPBA, a organização teria uma divisão interna de funções e uma estrutura de logística capaz de manter o comércio de drogas de maneira contínua na região.

Suposta liderança e divisão de funções

De acordo com a denúncia, José Venâncio Farias dos Santos, conhecido como “Cadu” ou “Du Love”, é apontado pelas investigações como o suposto líder da organização criminosa.

O MPBA afirma que os 13 denunciados foram identificados em diferentes funções dentro da estrutura investigada. Os envolvidos teriam sido distribuídos, segundo a acusação, entre núcleos de comando, operacional, financeiro e de apoio.

A divisão apontada pelos investigadores teria permitido que diferentes integrantes desempenhassem funções específicas, desde a coordenação das atividades até a distribuição de drogas, movimentação de recursos financeiros e suporte logístico.

Sistema de distribuição de drogas

Um dos elementos destacados pelo Ministério Público é a existência de um suposto sistema de distribuição de entorpecentes semelhante ao modelo de “delivery”.

Segundo as investigações, a estrutura permitiria que drogas fossem comercializadas e entregues em diferentes pontos da região, com uma logística organizada para atender consumidores e manter a circulação dos entorpecentes.

O MPBA também aponta a existência de mecanismos destinados à arrecadação e movimentação dos valores obtidos com o tráfico.

Lavagem de dinheiro

As investigações também teriam identificado movimentações financeiras consideradas compatíveis, segundo os investigadores, com a tentativa de ocultar ou dissimular recursos provenientes das atividades criminosas.

Para chegar às conclusões apresentadas na denúncia, foram analisadas movimentações bancárias, dados financeiros e outros elementos de inteligência reunidos ao longo da apuração.

A acusação sustenta que a estrutura financeira teria papel importante na manutenção das atividades da organização.

Suposto controle territorial e “tribunal do crime”

Outro ponto considerado relevante pelo Ministério Público é a suposta atuação da organização para controlar determinadas áreas e impor regras por meio de ameaças e violência.

Segundo o MPBA, as investigações identificaram referências ao chamado “tribunal do crime”, mecanismo que, conforme descrito na denúncia, seria utilizado para aplicar punições internas e intimidar pessoas consideradas rivais ou que descumprissem determinações do grupo.

O Ministério Público sustenta que esse tipo de prática teria contribuído para o domínio territorial e para a manutenção da influência da organização nas áreas investigadas.

Negociação de armas de alto poder ofensivo

Além do tráfico de drogas, a investigação também identificou, segundo o MPBA, negociações envolvendo armas de fogo de alto poder ofensivo.

Entre os armamentos mencionados estão fuzis, cuja aquisição estaria sendo negociada por integrantes da organização.

Para os investigadores, a busca por esse tipo de armamento demonstra a existência de uma estrutura voltada não apenas para o comércio de drogas, mas também para o fortalecimento do poder armado do grupo.

Investigação reuniu dados de celulares e informações financeiras

A denúncia apresentada pelo MPBA foi construída a partir de um conjunto de elementos obtidos durante a investigação.

Entre as provas analisadas estão relatórios de inteligência, dados extraídos de aparelhos celulares, informações financeiras, movimentações bancárias e outros documentos e elementos probatórios.

O trabalho foi realizado pelo Gaeco Sul, em conjunto com a 23ª Coordenadoria Regional de Polícia do Interior (Coorpin), sediada em Eunápolis.

A análise cruzada dessas informações permitiu aos investigadores, segundo o Ministério Público, identificar relações entre os suspeitos e mapear diferentes funções que seriam exercidas dentro da suposta organização.

Operação Costa Limpa

A denúncia representa mais uma etapa da Operação Costa Limpa, investigação voltada ao combate ao crime organizado e às atividades relacionadas ao tráfico de drogas na região da Costa do Descobrimento.

A atuação das forças de segurança busca identificar não apenas os responsáveis pela comercialização dos entorpecentes, mas também integrantes envolvidos na estrutura financeira, logística e armada das organizações investigadas.

Com a apresentação da denúncia, caberá ao Poder Judiciário analisar os elementos apresentados pelo Ministério Público e decidir sobre o prosseguimento da ação penal.

Acusação ainda será analisada pela Justiça

A denúncia apresentada pelo Ministério Público representa uma acusação formal e não significa condenação.

Os 13 denunciados terão direito à ampla defesa e ao contraditório, e a eventual responsabilidade criminal de cada acusado deverá ser definida ao longo do processo judicial.

O caso chama atenção pela dimensão da estrutura descrita pelo MPBA e pela abrangência territorial atribuída à organização investigada, envolvendo importantes destinos turísticos do extremo sul baiano, como Porto Seguro, Trancoso e Arraial d’Ajuda.

As investigações seguem como parte das ações de combate ao crime organizado na região, enquanto o Judiciário deverá avaliar os elementos apresentados pelo Ministério Público na denúncia.

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