Por: bahiananet.com.br
A divulgação dos valores destinados às atrações do aniversário de Itarantim, marcado para o próximo dia 15 de junho, provocou forte repercussão entre moradores e lideranças locais. Dados publicados no Diário Oficial do município apontam que a prefeitura vai investir R$ 990 mil na contratação de apenas dois artistas: o cantor Pablo, com cachê de R$ 700 mil, e Netto Brito, contratado por R$ 290 mil.
O montante, próximo de R$ 1 milhão para um único dia de festa, chama atenção não só pelo valor elevado, mas também pela diferença em relação aos preços praticados em outras cidades. Levantamentos mostram que apresentações recentes de Pablo costumam variar entre R$ 350 mil e R$ 400 mil, enquanto Netto Brito tem sido contratado por cifras entre R$ 120 mil e R$ 150 mil.
A situação ganha ainda mais destaque diante do atual cenário enfrentado pelo município. Moradores denunciam problemas estruturais no hospital municipal, que, segundo relatos, não conta sequer com aparelhos de ar-condicionado, dificultando o atendimento em meio às altas temperaturas da região.
Além das dificuldades na área da saúde, Itarantim ainda lida com os impactos das fortes chuvas que atingiram a cidade em 2026. À época, o município teve situação de emergência reconhecida pela Superintendência de Proteção e Defesa Civil da Bahia, após registros de alagamentos e danos significativos em diversas áreas. Vídeos compartilhados nas redes sociais mostram ruas destruídas e famílias afetadas, reforçando a necessidade de investimentos em recuperação.
Outro ponto que tem gerado questionamentos é a distribuição dos recursos públicos para diferentes setores culturais e religiosos. Enquanto quase R$ 1 milhão será destinado a duas atrações musicais, eventos religiosos contarão com investimentos bem menores: R$ 30 mil para o segmento evangélico e outros R$ 30 mil para o católico.
Diante desse cenário, a decisão da gestão municipal tem dividido opiniões. De um lado, há quem defenda a realização de eventos como forma de movimentar a economia local e promover lazer para a população. Por outro, críticos apontam que, em um momento de dificuldades na saúde e reconstrução após desastres naturais, os recursos públicos deveriam ser direcionados para áreas consideradas essenciais.
Até o momento, a prefeitura de Itarantim não se pronunciou oficialmente sobre os questionamentos envolvendo os valores dos contratos e os critérios adotados para as contratações. O caso segue repercutindo e deve continuar no centro do debate público nos próximos dias, colocando em pauta a transparência e as prioridades da administração municipal.

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