Familiares de Jéssica Regina Macedo Carmo, grávida que foi morta por um tiro, na cidade de Santo Estevão, a cerca de 150 quilômetros de Salvador, fizeram um protesto, nesta segunda-feira (7), para pedir justiça. A mãe da vítima, Janete Pereira, falou sobre a perda da filha e do neto.

"É muito triste perder uma filha saudável e um neto. Uma tragédia. Como é que pode, uma pessoa tirar uma vida e botar a culpa na [vítima], [que estava] grávida e já ia ganhar o neném na próxima semana", relatou emocionada.

O caso aconteceu no sábado (5) e a família de Jéssica suspeita que o marido dela, George Passos Santana, conhecido como George Breu, foi o autor do disparo.

A vítima, que estava grávida de 9 meses, chegou a ser levada para o Hospital Doutor João Borges Cerqueira por George Breu, mas não resistiu aos ferimentos, assim como o bebê. Os corpos de mãe e filho foram sepultados no domingo (6), no Cemitério Municipal de Santo Estevão.

George era ex-vereador e chefe de gabinete da prefeitura do município. Ele foi exonerado do cargo nesta segunda-feira. Em nota, a gestão ressaltou repúdio a "qualquer tipo de violência, sobretudo aquela praticada contra mulheres".

Além disso, afirma que o luto pela perda é de "toda uma cidade; é de todos os santo-estevenses, que tem confiança na justiça e nas autoridades competentes que investigam essas trágicas mortes".

A família de Jéssica disse que além do ferimento do tiro nas costas, ela também tinha hematomas pelo corpo. O pai da vítima chegou a ir ao hospital onde ela foi socorrida e encontrou com George na unidade, que disse que a vítima tinha caído em cima de uma gaveta.

Na unidade, equipes médicas fizeram o parto e tentaram salvar a vida do bebê, que também faleceu. Jéssica Regina era biomédica e trabalhava em um laboratório na cidade onde foi morta.

Marido diz que tiro foi 'acidental'

Em depoimento à polícia, o marido de Jéssica disse que o tiro foi "acidental". Ele se apresentou à delegacia – a data não foi detalhada – e disse que estava lavando o carro na porta de casa, quando Jéssica o teria chamado para conversar sobre o relacionamento. George disse que ela estava com as mãos para trás e que ele teria desconfiado do gesto.

George narrou ainda que houve uma discussão e, em seguida, um disparo de forma acidental. Ainda no depoimento, ele disse que ficou parado, olhando para o teto, porque pensou que o tiro tinha atingido a casa. Depois disso, ele falou que percebeu que Jéssica havia sido baleada as costas dela, e então a levou para o hospital.

Os familiares da vítima contaram que o casal tinha um relacionamento há cerca de 1 ano e 2 meses, e que o casamento era conturbado, marcado por brigas. Ainda segundo os parentes de Jéssica, ela tinha uma filha de 6 anos, fruto de um relacionamento anterior. A garota mora com a mãe da vítima, porque, de acordo com a família de Jéssica, George não permitia que ela e a filha mantivessem contato.

Ainda segundo parentes da vítima, a casa onde o casal morava tem câmeras de segurança, mas as imagens teriam sido apagadas antes de Jéssica ser levada ao hospital. A polícia ainda não confirmou essa informação.

A delegacia informou que George não foi preso, porque quando ele se apresentou já havia passado o prazo do flagrante. Além disso, o delegado que investiga o caso disse que ele está contribuindo para investigações.

g1 ainda não conseguiu contato com George, nem com a defesa dele.


Fonte: G1-Bahia

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